Bastam alguns olhares mais atentos, críticos, densos para a política brasileira, ou melhor, para os políticos brasileiros para notar o grande medo, o verdadeiro pavor que eles possuem da educação. Isso mesmo: não é a falta de recursos pecuniários, falta de consciência da necessidade dela que o fazem deixá-la em segundo, último plano... E sim a certeza do risco que ela representa para eles. Isso, aliás, só faz afirmar a tese do quão frágil se faz esse sistema no qual a educação é alijada dos princípios básicos da sociedade.
Sob essa égide, e tendo por base alguns preceitos teórico-metodológicos que norteiam as análises políticas, porém fugindo das análises medrosas, aquelas que tateiam nas críticas e não as intensificam, e das mais formais, pode-se inferir o quanto a educação oprime essa classe (a dos políticos). Em primeiro lugar, é possível falar da mídia e do enorme prejuízo que ela teria e teve quando o último governo ampliou as vagas nas universidades. Claro, se há trabalhadores estudando, provavelmente estudarão à noite. Se estudarem à noite, irão assistir o jornal? Irão acompanhar as novelas, o futebol? Claro que não! E mais: depois de terem se instruído nos cursos mais críticos, esses novos estudantes irão de fato insistir em acompanhar novelas (cada vez mais superficiais e com o objetivo cada vez mais acentuado de lançar novos ídolos...)? Ora, tem-se, dessa maneira, um grande problema. A educação, nesta perspectiva, tira telespectadores da frente da televisão, da escuta da rádio, dos jornais manipuladores com os quais estamos acostumados a nos informar, lamentavelmente...
No entanto, o pior (para os políticos) é o fato de que estes estudantes, agora esclarecidos, universitários, elite intelectual, possam criticá-los ferrenhamente. Ou, nem tanto, mas irão, no mínimo, exigir melhores representantes (ou talvez nem queiram representantes, queiram representar!). Viu como será grande o problema? Pessoas que antes estavam mergulhadas em seus afazeres, relativamente alheios em relação à calamidade social do país, agora estão em cursos universitários, dividindo o tempo entre trabalho e estudo, melhorando sua qualificação, e pensando, quem sabe, em ocupar cadeiras no governo! Ora, cidadãos instruídos colocarão indubitavelmente em risco o lugarzinho daqueles coronéis que insistem em se eleger. Coronéis que pouco estão preocupados com esses estudantes! Aliás, agora estão: preocupados com o risco que eles representam.
Não obstante, o último governo pareceu não temer a educação (alguns membros dele), e isso foi um ganho excepcional para o país. É bom que continue melhorando. Quando é dito governo, entretanto, a referência é para o federal, porque os dos Estados (SP e MG, principalmente) estão pouco preocupados com a educação de qualidade, embora já estejam receosos com o crescimento das Universidades...
O maior reflexo de toda essa situação, cabe ressaltar, é facilmente observado nas condições da educação, no cotidiano mesmo das escolas. Ora, se um escrivão de polícia, um vereador, recebe salários até sete, oito vezes o salário de um professor da educação básica, o que se espera da educação? Mais, as condições aviltantes das salas de aula, dos livros didáticos, das bibliotecas, dos banheiros... Afinal, dinheiro há para melhorar tudo isso. Mas, como já foi dito, esse investimento é totalmente contrário aos interesses dos representantes políticos. Seria, para fazer grotesca metáfora, o mesmo que um rato criar um gato... Sendo que depois o bichano cresce e devora o primeiro. Assim ocorrerá com alguns dos célebres governantes: dão educação, logo, professores preparados, alunos críticos, profissionais críticos, cidadãos conscientes, conhecedores dos seus direitos, mídia falida (pela falta de seguidores e, portanto, não podendo formar – ou deformar – a opinião)... E, finalmente, o “povo” querendo assumir o lugar no qual sempre deveria estar (já que estamos numa sociedade relativamente democrática): ora, representando os seus iguais no governo (se bem que isso, de certa forma, vem ocorrendo nos últimos oito anos e um mês).
Portanto, o que se pretendeu mostrar, é o risco que a educação representa para as tradicionais instâncias governamentais, acostumada a eleger os seus coronéis despreparados, manipuladores, absortos em relação às verdadeiras necessidades de sua gente, que, aliás, eles pouco conhecem. Além disso, instruir a população, dar espaço para novos profissionais qualificados, incitar a crítica da juventude, é ferir a tradicional mídia brasileira, a retrógrada política que fora do governo federal (ou seja, nos governos dos Estados, nas Prefeituras, etc.) ainda se mantêm. Apesar de tudo, há que se considerar que ouve avanços, e que eles devem continuar a se ascender.

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