É comum que as pessoas, sobretudo as mais jovens, busquem facilidade naquilo que estão aprendendo ou fazendo. E é justamente por este motivo que recrudesce assustadoramente a quantidade dos famigerados resumos, sinopses e as resenhas. Se junta a isso a necessidade de dar título às coisas, aos elementos que norteiam a vida.
Dessa forma, assuntos, abordagens, grandes questões, muitas vezes complexos são reduzidos a explicações simplistas, pouco elucidativas do real sentido que possuem e que ficam com significado distorcido, fragilizado, pouco representativo. Esta é a realidade e, lamentavelmente, a tendência da educação no Brasil.
Fato que pode ser exemplificado com facilidade entre os jovens que prestam vestibular, Enem, Paaes etc. Nesse caso, a busca e o uso de “resumos”, tanto dos enormes e fundamentais conteúdos que norteiam o ensino médio quanto nas obras literárias que são cobradas nesses processos seletivos, intensifica a massificação do aprendizado e causa danos imensuráveis à educação. E, afinal, o que isso (re) cria?
Gera o que costumeiramente se nota entre os jovens: descaso pela língua (escrita e falada), desconhecimento em relação a importantes momentos históricos do país, descaso acerca da própria realidade da qual fazem parte, e, finalmente, o mais venenoso dos resultados: a reprodução de um sistema educacional que ganhou força em meados do século XX, o tecnicismo. Neste sistema, o conhecimento torna-se compartimentado, fragmentado e o que é pior, as áreas dele deixam de dialogar.
Portanto, o que se nota é o receio, o medo daquilo que é complexo e que exige maiores esforços intelectuais. A grande maioria das pessoas, ao adentrarem neste danoso sistema, assume, muitas vezes inconscientemente, incapacidade de enfrentamento dessas questões e acabam enclausurando-se dentro de sua área de atuação.
Assim, acabam fugindo a qualquer reflexão mais densa, desconhecendo sua própria capacidade de argumentação e permitindo que as práticas sociais, econômicas e políticas do país arrastem-se sem sua participação, o que, numa leitura mais perigosa e relativa, poderia ser o germe de destruição da democracia.
Matheus Biasi

Matheus,
ResponderExcluirNem preciso dizer o quão excelente é esse texto.
Coincidentemente eu me identifiquei na parte de "enclausurar-se".