terça-feira, 8 de março de 2011

Leitura em crise na escola: como enfrentar?

É quase um lugar comum observar o quanto a leitura tem sido menosprezada nos ambientes escolares. Os livros, o hábito da leitura, a apreciação da literatura são igualados quando se observa o descaso com o qual são tratados. No entanto, observamos que muitos profissionais da educação procuram estimular a leitura nos seus alunos e, com isso, muitas vezes alcançam o esperado. Convém afirmar de início, porém, que pode ser considerado total sucesso aquele empreendimento em que o professor conseguir estimular o gosto pela leitura em um único aluno apenas, tamanha a crise que se coloca. Ou seja, mesmo que diante de uma sala de quarenta alunos o professor consiga estimular a leitura em um deles, já terá cumprido louvável papel.
Os motivos que desestimulam a leitura entre os jovens são evidentes. Se concorrer com as mídias – televisão, internet, rádio – já é tarefa árdua para os professores, por vezes com discussões tão interessantes, isso fica ainda mais evidente em relação a leitura das obras literárias. Neste texto optamos por dar ênfase à apreciação da literatura, ou seja, a crise da leitura de obras literárias. Nesse caso, acreditamos ser nela mesma, na literatura, o mais adequado caminho a ser trilhado com o objetivo de enfrentar esta problemática. O que se propõe, portanto, é o enfrentamento, por parte do professor, dessa concorrência inevitável com as mídias, utilizando a leitura da literatura como principal arma.
Cabe destacar, entretanto, que não são as mídias as únicas concorrentes da atenção destes jovens, mas também as conseqüências que essa mídia já trouxe para a sociedade: o vício pelo consumo. Mas qual consumo? O consumo de alimentos, o consumo cada vez mais exagerado de indumentárias, o consumo de álcool, etc. Deste modo, além de, durante uma aula, o professor ter de lutar com a falta de atenção de seus alunos, terá de lutar com o pensamento dessas crianças que, indubitavelmente estará perdido por entre uma loja, preocupado com a disputa entre os colegas (quem se veste melhor, quem tem o cabelo mais bonito, quem está “na moda”?), ou mesmo angustiado pela demora pelo recreio (a ansiedade engana, fazendo crer que há fome).
O problema, então, é grande! Quanto a isto não restam dúvidas. Mas, por outro lado, não é possível que não haja uma solução! Mínima que seja... Antes de propor algo neste sentido, é preciso que se reflita no que disse Carlos Drummond Andrade: “Lutar com palavras é a luta mais vã/No entanto lutamos/Mal rompe a manhã”. A partir disso, é possível afirmar que o professor tem o poder de estimular a leitura. Claro que para isso terá de dispor de tempo, preparo, ânimo e astúcia com as palavras...
A Série Vaga-lume, da editora Ática, é uma importante aliada desses profissionais. Com as obras infanto-juvenis desta coleção, qualquer professor, de qualquer área (ciências, matemática, geografia, português e história) poderá se utilizar das envolventes histórias que nelas contém para estimular a leitura nos seus alunos. Açúcar Amargo, por exemplo, possui uma estória muito envolvente que pode ser trabalhada em história, língua portuguesa e geografia. O autor, Luiz Puntel, levanta questões como o êxodo rural, a mão-de-obra barata, a exploração dos trabalhadores, dentre muitas outras temáticas. E, mesmo a relação entre verdade e ficção pode ser tratada, no que diz respeito à história. Zezinho, o dono da porquinha preta pode ser utilizado como referência à violência infantil, tema tão presente nas mídias com as quais os alunos estão acostumados a dedicar seu tempo. Além disso, há muitos outros títulos interessantes, como, por exemplo, Pega Ladrão, para discutir questões éticas, Na mira do vampiro, já que a juventude encontra-se imersa numa onda de adoração a essas criaturas (em virtude de filmes, livros, etc.), entre diversos outros.
Vale ressaltar que essas obras geram interesse instantâneo, dependendo do discurso em que são apresentadas, evidentemente, e são grandes aliadas ao estímulo da leitura no ensino fundamental. É importante dizer, ainda, que estimular a leitura é um dever de todo educador, haja vista ao fato de que trazendo interesse para suas aulas (com os diálogos em torno das obras), poderá contribuir com a formação de seus alunos e espantar a dispersão deles em relação ao conteúdo. Claro que isso demanda tempo, dedicação e os resultados podem demorar, mas incentivar a leitura é uma forma de combate, para lembrar Drummond, ao poder recalcitrante e danoso que a mídia possui sobre a juventude. Os livros da Série Vaga-Lume são facilmente encontrados nas bibliotecas das escolas... Comece já a trabalhar com estas obras e verás o resultado profícuo trazido pelo incentivo à leitura, ao conhecimento, à crítica e à adoção da literatura como instrumento de intervenção social.