Fonte inquestionável de conhecimento e aquisição de cultura, o livro no Brasil é considerado praticamente como um produto exclusivamente comercial, e não como fonte de sabedoria, experiências insólitas e acesso democrático à leitura. Desse modo, é possível comparar o preço de um livro com o de um sapato, de um ventilador ou uma escada.
Quando comparamos o preço de um livro em países como França, Inglaterra e Itália com os preços brasileiros, a diferença é exorbitante. O que se nota é que a cultura no Brasil é um bem de consumo para poucos, e não algo que deveria ser acessível a todos. As humildes bibliotecas de que dispõem os brasileiros são, em sua maioria, de difícil acesso ou possuem regras demasiadamente burocráticas de acesso a empréstimos, consultas, etc., isso quando não são extremamente incompletas devido a roubos, falta de recursos ou enchentes.
Assim, não é possível dizer que a educação no país é democrática. Isso se considerarmos que a educação não se restringe à freqüência ou matrícula em alguma escola, mas sim ao acesso irrefutável ao patrimônio público mais público que existe: o esclarecimento em relação à produção do conhecimento no país. Faltam, sob este aspecto, incentivo governamental, facilidades de acesso, apoio dos Estados, estímulo à leitura logo cedo aos jovens (impossível fazer isso na escola, com as bibliotecas cada dia mais precárias).
O problema, porém, vai além desses fatores ligados ao incentivo. Se ainda temos dificuldades (e dificuldade é um eufemismo) em escolher os nossos representantes, se ainda insistimos em optar por candidatos que não estão preocupados com a educação do país, ou, mais além, se ainda não temos opções para escolher, fica difícil manter a esperança em relação à reversão da situação da educação nesta sociedade. Assim, o preço do livro, contribui para o sistema no qual a leitura e a apreciação da literatura são extremamente restritivas a algumas camadas sociais do país.

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